3/4/2018
Famílias recebem corpos em estado de decomposição




Entidades que representam peritos criminais e servidores do Instituto de Polícia Científica (IPC) denunciaram hoje (2) que corpos de vítimas da violência estão sendo entregues a familiares em estado de decomposição. Porque o governo estadual continua se recusando a dar condições mínimas de trabalho à categoria.



Segundo os denunciantes, com o IPC da Capital interditado, pediram à Secretaria da Segurança Pública motoristas e viaturas adequadas para levar cadáveres de pessoas mortas em João Pessoa até Campina Grande, onde é possível fazer necropsia. O pedido foi negado, no entanto, ficando os corpos no aguardo de um único rabecão disponível lotar para poder seguir viagem. Sem refrigeração alguma.

Procurado pela CBN João Pessoa na manhã desta segunda-feira, Israel Aureliano, diretor do IPC, admitiu as dificuldades para o transporte, mas garantiu que os corpos estavam sendo entregues “em bom estado” às famílias.

A nota das entidades, na íntegra

O Sindicato dos Peritos Oficias (SINDPERITOSPB), a Associação dos Peritos Criminais (APO) e a ssociação dos Servidores do IPC (ASPOCEP), entidades que representam os Peritos Oficiais, os Técnicos em Perícia, Necrotomistas e Papiloscopístas, vêm por meio desta nota se solidarizar com a situação da população paraibana, que vem sofrendo com a paralisação dos serviços do IPC de João Pessoa.

Lamentamos o fato de o Governo do Estado ter optado por levar os corpos das vítimas de morte violenta da grande João Pessoa para serem periciados em Campina Grande, quando o Estado possui, na Capital, um órgão capacitado para realizar tal exame, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), na UFPB.

Outro fato lamentável é o de a Secretaria de Segurança (SESDS), mesmo em meio ao caos evidenciado, continuar a negligenciar as demandas do IPC. Foram solicitados seis motoristas para viabilizar o deslocamento dos corpos para Campina Grande, providenciando o TRANSPORTE IMEDIATO das vitimas da grande João Pessoa para Campina Grande. Todavia, esta simples providência foi, como de costume, NEGADA.

Por este motivo, os corpos de nossos entes queridos têm de esperar no interior quente e úmido do ÚNICO RABECÃO disponível, para quando completada a sua “lotação”, ou ao final do dia, siga para a necropsia. O resultado são CORPOS ENTREGUES EM ESTADO DE DECOMPOSIÇÃO aos seus familiares.

Cabe a nós, ainda, esclarecer que desde 2014 estas entidades tentam resolver amistosamente o problema do SUCATEAMENTO do aparato Pericial EM TODA PARAÍBA. Foram várias tentativas de convencimento da necessidade de se construir uma NOVA SEDE, de resolver o problema de ESCASSEZ DE INSUMOS PARA OS EXAMES LABORATORIAIS, de adquirir INSTRUMENTOS DE TRABALHO para nossos servidores, e de CRIAR UM ORÇAMENTO PARA O ÓRGÃO.

Como todos puderam observar através das imagens divulgadas, nossa situação se tornou insustentável. São paredes carcomidas e com RISCO DE DESABAMENTO, são instalações elétricas remendadas (gambiarras) que geram FOCOS DE INCÊNDIO por curto-circuito, são LÍQUIDOS QUE ESCORREM DOS CADÁVERES a partir dos congeladores danificados para o solo, são EQUIPAMENTOS QUE INCENDEIAM em pleno uso, são INSTRUMENTOS DE JARDINAGEM IMPROVISADOS PARA NECROPSIAR CORPOS DE SERES HUMANOS, são PRODUTOS QUÍMICOS VENCIDOS PARA REALIZAÇÃO DE EXAMES… enfim, fatos que faziam com que os servidores do IPC, as pessoas que usavam dos nossos serviços e a vizinhança estivessem em constante risco de saúde e de vida.

A verdade é que Deus nos livrou de tragédias de grande monta, até o dia da interdição.
Estas PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO fazem parte da rotina da perícia paraibana em TODO ESTADO, que, APESAR DE TUDO, figura, segundo o Ministério da Justiça, como a que possui os RESULTADOS MAIS BEM RECONHECIDOS DO PAÍS.

Dito isto, torna-se claro e evidente que OS BONS RESULTADOS da Perícia paraibana SÃO FRUTOS DOS ESFORÇOS dos servidores do IPC, não de investimento estatal.

Encerramos esta Nota agradecendo ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho (MT), Órgãos que levam a sério a defesa dos trabalhadores, e PEDIMOS MAIS UMA VEZ ao Governo do Estado: DÊ-NOS CONDIÇÕES DE VOLTAR A TRABALHAR PELO POVO PARAIBANO!


FONTE: Redação - rubens nóbrega


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